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ARTIGOS DE OPINIÃO - 2003 - JULHO
Sistemas de Classificação de Jogos Vídeo e de Computador
Por Tito de Morais

Com as férias de verão a prolongarem-se por mais de dois meses - e com a consequente predisponibilidade dos jovens para passarem mais tempo "agarrados" aos vídeo jogos – justifica-se sublinhar a importância de desenvolvimentos recentes no domínio dos sistemas de classificação de jogos vídeo e de computador.

No início de Junho, abordei aqui a questão da classificação de conteúdos Internet, abordando superficialmente e de uma forma paralela outros sistemas de classificação de conteúdos, nomeadamente espectáculos, televisão, etc. No entanto, a convergência de um conjunto de circunstâncias levam-me a abordar novamente este assunto, mas desta feita debruçando-me sobre os jogos vídeo e de computador.

"Ó Pai, Sabes o Que eu Estava a Fazer?"
Como acho que já aqui referi, sou pai de três rapazes de idades muito díspares: 6, 12 e 23 anos. Como acontece em muitos lares, cá por casa já passaram diversas consolas. Nintendo, Mega Drive, PlayStation, Nintendo 64, DreamCast e agora uma PlayStation 2. Todavia, nunca fui muito de jogos e consolas, razão pela qual nunca lhes dei muita importância. Até há muito pouco tempo.

Uma Lambada Para Cair na Real
Há tempos, estava eu agarrado ao portátil a escrevinhar qualquer coisa, quando o meu filho mais novo, todo entusiasmado com um jogo que acabara de jogar, vem ter comigo e me pergunta: "Ó Pai, que fixe. Sabes o que eu estava a fazer?!". À minha negativa, respondeu-me com a maior naturalidade deste mundo: "Estive a vender droga!". Uns segundos depois de ter encaixado a resposta, achei por bem prestar mais atenção à interpelação. Puxando o fio à meada, conclui que tinha estado a jogar um jogo do irmão mais velho. Por coincidência, um jogo que, exactamente por conter este tipo de conteúdos, foi muito polémico aquando do seu lançamento, tendo estado inclusivamente proibido em alguns países. Um jogo que está classificado como sendo para maiores de 18 anos. Às vezes, precisamos destas lambadas para cair na real, mas se as pudermos dispensar tanto melhor.

Aprender Com os Erros
Porque provavelmente existem por aí muitos pais que, como eu, não ligam a jogos, ao menos que o exemplo da minha indesculpável ignorância sirva de alguma coisa. Idealmente, que sirva para começarem a prestar mais atenção às classificações que figuram nas embalagens dos jogos de vídeo e de computador a que os seus filhos têm acesso. E se decidirem que eles podem jogar aqueles jogos que não correspondem ao escalão etário respectivo, então que ao menos tomem essa decisão de uma forma informada. Vem tudo isto a propósito porque na Europa (Portugal incluído) e nos Estados Unidos, verificaram-se recentemente alterações ao nível da classificação de jogos de vídeo e de computador.

Estados Unidos da América
De acordo com o New York Times, a semana passada, a Entertainment Software Rating Board (http://www.esrb.org), anunciou a criação de quatro novas categorias destinadas a especificar diferentes tipos de violência em jogos vídeo. Espera-se que, a partir de meados de Setembro, as novas etiquetas de aviso comecem a estar disponíveis de uma forma mais proeminente na capa dos jogos de vídeo. Esta acção vem na sequência de uma outra iniciativa, desta feita europeia.

PEGI – Pan European Game Information
De facto, já em finais de Abril, visando reassegurar a confiança de pais e consumidores, a indústria europeia de jogos interactivos havia anunciado o lançamento do primeiro sistema pan europeu de classificação etária para jogos vídeo e de computador.

Conhecido por PEGI (http://www.pegi.info) , este novo sistema de classificação foi concebido para garantir que os menores não sejam expostos a jogos inadequados ao seu grupo etário. Desenvolvido pela Interactive Software Federation of Europe (http://www.isfe-eu.org), o novo sistema é apoiado pela Comissão Europeia que o considera um modelo de harmonização europeia no domínio da protecção das crianças. Suportado também pelos principais fabricantes de consolas, incluindo PlayStation, Xbox e Nintendo, assim como por editores e developers de jogos interactivos por toda a Europa, o PEGI irá substituir gradualmente os sistemas nacionais actualmente em vigor nos países da União Europeia (excepto Alemanha), Noruega e Suíça, fornecendo um único sistema idêntico em grande parte da Europa.

Dois Componentes: Idade e Tipo de Conteúdo
Ao abrigo do PEGI, cada jogo passará a exibir a sua classificação etária na sua capa, podendo ainda na exibir contra capa uma ou mais etiquetas descritivas do seu tipo de conteúdo. Compreendendo 5 escalões etários (3+; 7+; 12+; 16+; 18+), o sistema permite ainda pequenas variações locais, nas quais se inclui Portugal.

Os conteúdos serão descritos através da utilização ou combinação de uma ou mais das seguintes categorias:

  1. Discriminação – Jogos contendo representações discriminatórias ou materiais que a possam encorajar
  2. Drogas – Jogos que se refiram ou representem a utilização de drogas
  3. Medo – Jogos que possam ser assustadores para crianças pequenas
  4. Linguagem obscena – Jogos contendo este tipo de linguagem
  5. Sexo – Jogos contendo representações de nudez e/ou referências ou comportamentos sexuais
  6. Violência – Jogos contendo representações de violência

As combinações dos escalões etários e dos descritivos acima permitirão aos pais e aos consumidores assegurar-se que o jogo que irão comprar é adequado à idade dos jogadores para quem o estão a adquirir.

Esta iniciativa parece-me de louvar, sobretudo por constituir um verdadeiro esforço de auto regulação. Numa época em que pais e educadores procuram "quick-fixes", este é decididamente um deles. Lembre-se todavia que, conforme o caso que refiro no início do artigo o demonstra, a existência pura e simples deste tipo de sistemas não resolve nada. Compete-lhe a si, usá-lo. Ou se preferir, não o usar.

in Info&Net, A Capital, Lisboa, 04 de Julho de 2003



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