Logotipo MiudosSegurosNa.Net

Minimizar Riscos, 
Maximizar Benefícios. 

Bandeira de AngolaBandeira do BrasilBandeira de Cabo VerdeBandeira da Guiné-Bissau
Bandeira de MoçambiqueBandeira de PortugalBandeira de São Tomé e PrincípeBandeira de Timor Leste
Subscreva a Newsletter
[MiudosSegurosNa.Net]

> Definir Homepage
> Adicionar a Favoritos
> Imprimir Esta Página
> Recomendar Página
> Ligue-se a Nós!
> Artigos Para o Seu Site
> Donativos

ARTIGOS DE OPINIÃO - 2007 - FEVEREIRO
Exposição Involuntária de Menores à Pornografia na Internet
Por Tito de Morais

A semana passada, os meios de comunicação social portugueses deram relevo aos resultados de um estudo de 2005 - "Online Victimization of Youth: Five Years Later" (PDF - 480KB) - do Crimes Against Children Research Center (CACRC) da Universidade de New Hampshire.

Segundo o referido estudo, mais de um terço (34%, 1 em cada 3) dos jovens norte-americanos entre os 10 e os 17 anos de idade foi exposto involuntariamente a material de cariz sexual através da Internet. Esta exposição involuntária cresceu relativamente à edição anterior deste estudo, efectuado 5 anos antes, onde este número era de 25%. Isto apesar de uma análise comparativa dos dados relativos à solicitação sexual revelar decréscimo e os relativos ao assédio não registarem alterações relevantes. No entanto, segundo o estudo, este tipo de exposição não é necessariamente considerada perturbante pelos jovens. De facto, apenas 9% afirmou ter sido exposto a imagens de cariz sexual perturbantes.

Idades dos Jovens
O estudo revela ainda que estes incidentes tanto podem acontecer a rapazes (54%), como a raparigas (46%), sendo que 76% das exposições involuntárias aconteceram a adolescentes entre os 14 e os 17 anos e que 24% das exposições consideradas perturbantes aconteceram a jovens entre os 10 e os 13 anos de idade. Os resultados do estudo apontam ainda para o facto da exposição involuntária aumentar com a idade.

Como Aconteceu a Exposição
A maioria destes incidentes (83%) aconteceram enquanto os jovens navegavam na Internet. Mais de um terço destes incidentes (40%) ocorreram quando os jovens efectuavam pesquisas online, 17% ao seguirem links noutros sites, 12% ao escreverem com erros os endereços dos sites que desejavam visitar e 14% em resultado de janelas publicitárias.

Que Tipos de Exposição
Segundo o estudo, a maioria dos jovens (86%) viu imagens de pessoas nuas e mais de metade, viu imagens explícitas:

  • de "pessoas a fazerem sexo" - 37%
  • de "cenas sexuais violentas" - 13%
  • de "sexo envolvendo animais e outras coisas estranhas" - 10%
  • de "pessoas a fazer sexo" ou imagens violentas ou desviantes - 57%

Onde Aconteceram os Incidentes
Mais de três quartos (79%) destes incidentes de exposição involuntária ocorreram em casa, 9% na escola, 5% em casa de amigos e 5% noutros locais, incluindo bibliotecas. Cerca de um terço (29%) dos incidentes deram-se na companhia de amigos ou de outros miúdos seus conhecidos.

Porque Aconteceram
Segundo o estudo, tais exposições parecem resultar do facto dos jovens "baixarem as suas guardas". Nas palavras de alguns dos inquiridos:

  • "Eu escrevi mal a palavra";
  • "Eu não fui suficientemente claro ao efectuar a pesquisa";
  • "Eu não li a informação por baixo do link";
  • "Eu estava a escrever muito depressa".

Atenção Aos Resultados de Pesquisas
Uma das constatações do estudo é que uma série de temas populares entre a juventude surgem repetidamente como fontes desta exposição involuntária. Exemplos disso são pesquisas sobre temas ou termos relacionados com jogos, vídeo jogos, sites de vídeo jogos e códigos para jogos. Outro relaciona-se com pesquisas relacionadas com nomes de personagens ou séries de banda desenhada e desenhos animados. Mas os tópicos objecto de pesquisas que podem resultar em material não desejado de cariz sexual é variado, incluindo aqueles relacionados com trabalhos escolares. De facto, o estudo conclui que "com base na grande variedade de termos de pesquisa que conduziram os jovens e material cariz sexual não desejado, parece que até mesmo palavras inocentes podem conduzir a matérial inadequado a menores".

As Causas
A este facto não é estranho o modelo de negócio de muitos sites de cariz pornográfico que sobrevivem de receitas publicitárias. Quantos mais olhos forem expostos à publicidade, maior a receita. Independentemente do público-alvo. Assim, no sentido de maximizarem as receitas, este tipo de sites usa uma grande variedade de palavras-chave para se certificarem que aparecem com frequência nas páginas de resultados dos motores de pesquisa. Por outro, lado, o estudo refere ainda uma táctica muito usada por sites pornográficos para manterem os visitantes e que consiste dificultar a saída destes, seja através da abertura não-solicitada de novas janelas, seja recorrendo a outros expedientes mais elaborados. 18% dos jovens alvo de exposições involuntárias afirmaram que foram parar a sites pornográficos ao tentarem sair de outros sites onde se encontravam. Isto aconteceu em 15% dos incidentes considerados perturbantes.

Mais Causas
Por outro lado, em 21% dos incidentes de exposição os jovens afirmaram saber que se tratava de um site para adultos antes de nele terem entrado. Estes incidentes foram considerados indesejáveis pelos jovens, se bem que não necessariamente não-intencionais. 19% dos jovens nestas circunstâncias ficou muito ou extremamente preocupado com as imagens que viu e 23% ficou muito ou extremamente embaraçado. Por outro lado, cerca de um terço (32%), informou os seus pais do facto. O estudo não questionava os jovens sobre as razões que os levaram a entrar nestes sites, mas aponta como potenciais causas a simples curiosidade e a falta de conhecimento sobre o significado real de termos geralmente associados à pornografia, até serem confrontados com esse tipo de material.

As Reacções Dos Jovens
A esmagadora maioria dos jovens (92%) saiu da situação bloqueando o site ou abandonando o computador. Por outro lado, apenas 2% afirma ter regressado mais tarde a esse site e cerca de um terço (32%) afirmou que a família instalou algum tipo de software de bloqueio, filtragem ou monitorização após o incidente. Todavia, em mais de metade dos incidentes (52%) os jovens não contaram a ninguém as ocorrências e 39% guardaram para si as exposições perturbadoras. Nos casos em que os incidentes foram contados a alguém, foram-no geralmente aos pais (27%), o mesmo acontecendo com as exposições perturbantes (42%). Muitos pouco incidentes foram reportados às autoridades. 3% foram-no a autoridades escolares e 2% a operadores de serviços Internet, forças policiais e outras autoridades.

Nível de Perturbação
Por fim, cerca de três quartos (74%) dos jovens inquiridos considerou os incidentes como nada ou pouco perturbantes. Por outro lado, 26% classificou-os como extremamente perturbantes e outro tanto como muito ou extremamente embaraçosos. Em 19% dos casos, os jovens tiveram sintomas de stress, incluindo afastamento da Internet ou de partes desta durante um tempo, serem incapazes de deixar de pensar sobre o caso, sentirem-se instáveis ou irritáveis ou ainda perder o interesse pelas coisas.

Como referi no início deste artigo, este estudo foi muito referido pelos meios de comunicação social - se bem que de forma genérica - no Dia Por Uma Internet Mais Segura que se celebrou no passado dia 6 de Fevereiro. No entanto, essas referências foram sempre muito genéricas, daí me parecer útil fornecer mais informação sobre o estudo através deste artigo. No entanto, na sequência da visibilidade que o tema adquiriu, recebi inúmeros pedidos de pais, avós e professores, sobre como impedir, bloquear ou proibir o acesso dos mais novos a este e a outros tipos de conteúdos. Responder a todos individualmente torna-se difícil, daí que esteja já a trabalhar no sentido do artigo da próxima semana lhe fornecer dicas sobre como evitar a exposição a conteúdos impróprios ou nocivos. Até lá.



Artigos Anteriores:
> Fotos de Alunos na Internet - Parte II
> Fotos de Alunos na Internet - Parte I
> Mapas Mentais e Trabalhos Escolares
> Regresso às Aulas & Segurança Internet
> Concurso Repórteres @ TIC!

Rotulado com ICRA - Internet Content Rationg Association
| Início | Recursos | Sobre | Mapa do Site |
                                                 © 2003-2007, Tito de Morais. Todos os Direitos Reservados.